Twittar ou não twittar, eis a questão!

15 de dezembro de 2009

Dizer que o twitter é um miniblog com 140 caracteres, em que podemos postar informações de forma reduzida, não me parece responder para que veio esta nova tecnologia. Afinal, que tipo de informação podemos postar? Poderíamos discutir como as empresas vêm utilizando esta ferramenta, isto é, para marketing e pesquisa de comportamento do consumidor. Mas esta não é minha proposta. Após alguns meses twittando, gostaria de analisar as possibilidades do twitter.

Podemos utilizar esse miniblog como um pequeno diário aberto. Aí a pessoa posta desde o que come, ao que vai fazendo durante o dia, até a noite. Embora desnecessárias essas informações, elas podem funcionar como uma elaboração catártica através da escrita, um marcador de rotinas (idéias e pensamentos), ou, ainda, para controle dos instintos. Assim, em vez de xingar uma pessoa, podemos twittar este xingamento. Mas é preciso cuidado, não se pode esquecer que o twitter é um ambiente público. Ser grosseiro, falar palavrões e coisas indelicadas virtualmente é, ainda assim, ser grosso e mal educado! Mas essa não me parece a melhor forma de utilizar a nova ferramenta tecnológica. Tampouco consigo pensá-la como um instrumento para fazer amigos. Como escutar um amigo em 140 caracteres? Acabam todos falando e ninguém ouvindo ninguém!

O que mais me instiga no twitter é a possibilidade de construção de uma rede informacional, uma nova “microfísica do poder” (Foucault). Mas, para que isto ocorra, é necessário que se atente para alguns pontos críticos. Primeiro, o twitter não é um instrumento de massa de informações. Ao seguirmos vinte mil pessoas, as informações vão se tornando ruído, quase não conseguimos lê-las ou filtrá-las. É preciso pensar quem seguimos. É isto que determina o nosso perfil, o tipo de informações em que estamos interessados. Uma vez bem definido esse perfil, as pessoas que se interessam pelos conteúdos que seguimos terão mais chances de nos encontrar e estabelecer uma conexão para possíveis trocas.
Um segundo ponto crítico refere-se à seleção de conteúdos relevantes. A todo instante a rede nos envia notícias curtas e links para notícias completas. Como no antigo clipping de jornal, onde tínhamos apenas as manchetes, podemos selecionar rapidamente o que nos interessa. É preciso, pois, que aquele que lê os posts saiba o que está procurando, sob o risco de passar o dia lendo coisas que podem ser absurdamente inúteis.
Enfim, se a internet é um mar de informações, podemos, navegando, esbarrar com o lixão de conteúdos desnecessários que se concentram no remanso. E cabe somente a nós mesmos sairmos deste lugar. Podemos deixar de seguir quem fala sobre assuntos que não nos interessam. A rede é móvel. Definindo quem seguir e o que buscar, poderemos tecer uma nova rede nesse imenso oceano de informações.

*Psicóloga (psicanalista) e administradora, mestre em administração, professora universitária em cursos de graduação e pós graduação, consultora e sócia-diretora da Estação do Saber.

**Acompanhe os outros textosque serão publicados sobre o Twitter.

Fonte: Júlia Andrade Ramalho Pinto

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