Museus Virtuais
Telas dos grandes mestres italianos, esculturas da Grécia clássica, fotografias de Cartier-Bresson. Ao longo da história, a criatividade e genialidade humanas produziram milhares de obras de arte capazes de sensibilizar até o mais duro dos corações. Mas elas fazem parte do acervo de museus ou particulares espalhados por todo o mundo. E a grande maioria das pessoas dificilmente tem condições de bancar uma viagem para conhecer parte delas, quanto mais para visitar vários países em diversos continentes.
Com a internet, porém, essas obras ficaram muito mais próximas do grande público. Quadros em altíssima definição, peças tridimensionais, apresentações musicais, teatrais e de dança e todo tipo de arte podem ser vistos de qualquer lugar, a qualquer hora, desde que o usuário tenha à mão um computador conectado à rede.
De vídeos com apresentações de um espetáculo, por exemplo, até passeios virtuais pelos corredores de museus, a internet permite que qualquer pessoa tenha contato com obras que, antes da web, estavam restritas a uma pequena parcela que consegue pagar para vê-las ao vivo. Até mesmo os corredores de grandes museus como o Louvre, em Paris, podem ser percorridos pela tela do PC. Outros sites oferecem estudos sobre as obras e seus autores, além da possibilidade de ampliar as imagens de forma que seja possível verificar os mínimos detalhes do trabalho.
Artistas, estudantes e professores de arte concordam que a internet facilita o acesso e ajuda em pesquisas sobre as obras, mas a artista plástica Sônia Labouriau ressalta que é preciso cuidado ao consultar as peças virtuais. “A maleabilidade da imagem digital oferece um risco grande, porque, se a pessoa fizer qualquer mudança nela, altera completamente a obra”, observa.
Segundo o vice-diretor da Escola de Arte Guignard, da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), Roberto Gusmão, a digitalização do trabalho de grandes artistas auxilia muito o aprendizado de estudantes. Para ele, consultas virtuais não perdem em nada para os métodos tradicionais de estudo geralmente à disposição de alunos que não têm condições de viajar para ver as peças pessoalmente..
“A única restrição da internet é em relação à textura, mas é a mesma restrição que existe nos livros, vídeos, CDs e outras formas de reprodução”, observa. Atualmente, a Guignard tem cinco computadores conectados à web na biblioteca, disponíveis para os estudantes fazerem pesquisas, mas Gusmão afirma que a intenção é expandir esse acesso. “Assim, os alunos podem fazer as pesquisas e trabalhos escolares com orientação dos professores”, diz.
Masp
Ele ressalta que a criação do Museu de Arte de São Paulo (Masp), fundado em 1947 pelo proprietário dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, ajudou na formação de artistas no Brasil. Mas boa parte das obras dos grandes nomes nacionais está exposta em instituições fora do país, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, inacessíveis à grande maioria dos alunos. “O Masp foi o primeiro responsável pela formação de estudantes diretamente em contato com obras de elevado nível. Antes, isso só era possível para quem podia viajar ou tinha acesso a colecionadores privados, algo muito raro”, conta.
Ainda segundo Gusmão, a internet tem algumas vantagens sobre os livros de arte – que também costumam ter preços elevados, no caso de boas edições – porque diversos sites oferecem visualizações das obras em diversas posições. Um exemplo é o Museu da Beleza (Museum of beauty), no endereço museumofbeauty.biz. Patrocinada pelo Konica Minolta, o espaço mostra imagens em todos os ângulos da Vênus de Milo, uma das mais famosas obras do acervo do Louvre.
A escultura foi escaneada a laser e as imagens digitalizadas mostram cada detalhe da obra, junto com informações (em inglês) sobre a descoberta da escultura, entre outros. “A Vênus de Milo foi libertada das limitações do museu e pode ser livremente apreciada e admirada, por pessoas de todo o mundo, de uma forma ainda mais realista e dinâmica”, afirma o site, em meio a diversos dados sobre a escultura. “Quantas pessoas podem ir a Paris para ver o Louvre? E quantas podem acessar a internet?”, indaga Roberto Gusmão.
Confiança
O estudante Felipe Utsch Bauer de Assis, de 21 anos, é um dos usuários que acessa a internet para fazer pesquisas sobre obras e artistas. Cursando o último ano de educação artística, ele afirma que a rede permite um contato mais fácil com as obras. “Nunca fui ver os grandes trabalhos pessoalmente. Seria muito bom ir, mas não tenho condições”, lamenta.
Na internet, porém, Assis encontra rapidamente informações e reproduções sobre as obras e os artistas, mas ele frisa que costuma usar a web apenas como referência para pesquisas em bibliotecas. “Se quero fazer uma trabalho sobre uma obra, procuro na internet e pego algumas informações básicas. Para mim, a internet não substitui um bom livro. Eles costumam ter mais informações e são uma fonte mais confiável. Mas ela agiliza muito a pesquisa”, completa.
Fonte: Estado de Minas (Portal Uai)

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