Liberdade na internet

30 de setembro de 2011

No próximo sábado, receberemos na 8ª edição do ETC BH Simone Garofalo, que é formada em letras e atuante nos projetos Texto Livre, Taba Eletrônica e Software Livre Educacional. Conversamos com ela sobre a temática da liberdade na internet: “A maioria das pessoas acredita que a liberdade na Internet está ligada somente à possibilidade de acesso à informação, de uso dos conteúdos, de envio de informações e de comunicação com o outro. No entanto devemos ir mais além desse pensamento. Mais do que acessar conteúdos e serviços que nos interessam na rede, temos que pensar que a todo momento estamos sendo monitorados e nossas informações são capturadas em alguns sites de serviços que usamos. Tais informações controlam o que vemos na rede, ao fazermos buscas ou anúncios que aparecem na nossa frente. Será que isso é realmente liberdade? Ou estamos falando somente de privacidade? Outro ponto interessante é ver como as redes sociais estão se tornando um importante meio de compartilhamento de informação e, com isso, locais de discussão de muitos temas polêmicos na sociedade contemporânea. Cada vez mais as pessoas se mobilizam primeiro na rede, para depois se manifestarem fisicamente, ou mesmo somente na rede. Isso significa que as redes sociais estão se tornando ameaçadoras para aqueles que tentam controlar a opinião pública, porque agora informações às quais antes não tínhamos acesso estão sendo divulgadas. Por isso vemos redes sociais sendo proibidas em alguns países e até mesmo a internet”.

Sobre a possível censura à circulação de informações, Simone ressalta que “no momento em que não se publica as restrições que aquela ferramenta impõe, eu acredito que estamos falando de censura. O fato de o Wikileaks não ter sido encaixado no Trending Topics do Twitter, por exemplo, sendo assunto mais comentado naquele momento e o campo Trending Topics ser destinado a esse tipo de informação, configurou-se na minha opinião como uma censura. O fato de alguns serviços como o Twitter, Facebook e outros usarem seus domínios para restringir informações sem o aviso prévio ao usuário, no meu entender, deixa de ser mediação e passa a ser censura.

Ainda sobre hábitos de usuário em relação à rede, completa: “há uma autorregulação da própria rede em relação aos costumes. Entretanto, vemos muitas coisas incoerentes, perigosas ou escandalosas sendo publicadas por falta de uma criticidade e rigor com as publicações. É importante uma discussão sobre liberdade que possibilite às pessoas pensar e lembrar que suas publicações se tornam públicas, como a própria palavra presume. Parece-me que existe uma conscientização na rede advinda das práticas sociais que ela possibilita e que é suficiente para nortear a responsabilidade de usuários, mas essa conscientização ainda é restrita a alguns usuários mais críticos e com acesso maior à discussão sobre conceitos como “publicar”, “privacidade”, “liberdade”, entre outros”.

“A inclusão digital tem sido realizada no Brasil de diversas maneiras. Acredito que há uma discussão, porém não suficiente, sobre o bom uso da rede e mesmo sobre outras questões que permeiam esse universo de informações. Parece-me que a inclusão digital é vista como apenas fornecer acesso a computadores e internet às pessoas. Acredito que, mais do que isso, a inclusão digital deve ser encarada como a inserção do indivíduo na cultura digital, com a formação desse cidadão para ser um internauta crítico, capaz de navegar de modo significativo e seletivo, sabendo separar o conteúdo que lhe agrada e que lhe acrescenta. Além disso, é necessário que a escola se prepare para formar esses internautas críticos, capazes de lidar com a quantidade e diversidade de informações na rede. A escola possui um papel importantíssimo na educação e responsabilidade no uso da internet, além de ser capaz de formar indivíduos críticos para realizar suas escolhas. Um exemplo que gosto de trazer é o que chamo de “alfabetização digital” em sistemas operacionais proprietários. Pouco ou nada se fala em sistemas operacionais livres e, dessa forma, muitas pessoas acreditam que só existe o Windows, por exemplo. As discussões devem ser suscitadas para a formação de indivíduos críticos e a escola desempenha um papel fundamental na formação desses cidadãos e na construção desse tipo de sociedade”, completa referindo-se à inclusão digital.

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