Lançamento do livro ” Que País é este?” de Affonso Romano de Sant’Anna

13 de outubro de 2010

O BDMG Cultural convida para a comemoração dos 30 anos e o lançamento da 6ª edição do livro QUE PÁIS É ESTE? com a participação do poeta e autor Affonso Romano de Sant`Anna na leitura de textos e bate-papo com o público.

” QUE PAIS É ESTE? ”
Comemora 30 Anos, 6ª edição

Quando foi estampado em página inteira do “Jornal do Brasil” (06.01.1980) e logo apareceu em livro editado pela Civilização Brasileira, QUE PAÍS É ESTE? transformou-se num marco não só da poesia brasileira, mas num fato social e político. Tanto os que estavam no exterior exilados quanto os que aqui estavam na clandestinidade, tanto os políticos do sistema e da oposição quanto os intelectuais e o leitores, perceberam que esse texto forçava e sinalizava os novos caminhos da “abertura democrática”.

Por isto, o poema título do livro foi transformado em pôster e afixado em sindicados, diretórios, transformado em teatro, letra de música, lido em missas, comícios e entrou para antologias e livros escolares. Se a pergunta – “Que país é este?” surgiu da perplexidade do deputado Francelino Pereira, por outro lado ela já estava em Machado de Assis e José de Alencar. E, como tem assinalado o poeta-autor do poema, essa é uma pergunta coletiva, que só pode ter uma resposta igualmente coletiva e dinâmica.

A primeira edição deste livro foi saudada com entusiasmo por Carlos Drummond, José Guilherme Merquior, Jorge Amado, Wilson Martins, Antönio Cândido, Donaldo Schuler, Caio Fernando Abreu, Luzilá Gonçalves, entre outros. O poeta trazia não só uma linguagem nova, superando os traumatismos que marcaram a poesia brasileira na época, mas evidenciava uma nova ótica sobre temas emergentes. Aí surge uma outra visão da mulher e do amor ( “Mulher” ) , diferente da tradição machista predominante na história da literatura. Aí aparece a imagem do índio( “Indios Meninos”), não como algo literário e distante como o foi no modernismo, mas como uma problemática real do cotidiano. Aí a pré-anunciada questão da violência urbana ( ” Crônica policial”) que eclodiria anos depois. Aí também uma consciência ecológica ( “Ä morte da baleia”) que se tornaria palavra de ordem nas próximas décadas. Aí um novo conceito de História, muito além da esquizofrenia de esquerda x direita, ricos x proletários, e, por consequência, uma corajosa compreensão do que seja “povo” não mais como uma categoria angelical e messiânica.

Esse livro, juntamente com o anterior ” A grande fala do índio guarani” (1978) constitui uma potente alegoria de nosso tempo. Ele faz parte daquilo que o autor, poeta, cronista e ensaista, chama de “projeto poético pensante”

Fonte: www.bdmgcultural.mg.gov.br

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