Amor à flor da pele

Acontece

Barry Egan, um administrador de um pequeno negócio, está sentado à sua mesa conversando de forma desconfortável ao telefone. Sua posição no canto da sala revela a condição de inferioridade a qual se encontra, subjugado a uma simples voz do outro lado, não ouvida pelo espectador. Ele desliga e caminha em direção à câmera que, da melhor forma “Paul Thomas Anderson” (planos-seqüência em grua ou/e steady-cam elegantemente coordenados e enquadrados), o acompanha até uma rua em frente ao estabelecimento onde trabalha. Ao chegar lá, uma caminhonete capota em sua frente de forma espetacular largando no caminho um pequeno harmonium (um tipo de piano), que Barry “rouba” para si. A partir daí, nada é normal em Embriagado de Amor, seja Adam Sandler, Emily Watson ou o próprio Paul Thomas Anderson.

Em Boogie Nights, Anderson fez um filme com pitadas de Tarantino, mas com identidade própria. Aqui, o clima remete a cinema oriental alternativo (especificações à frente) batido no liquidificador com uma Emily Watson bem inglesa e um Adam Sandler perturbado em uma manifestação anti-Adam Sandler. O resultado é essa coisa bonitinha e estranha que fala confortavelmente sobre o amor e tudo que há de bonitinho e estranho nele.

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Fonte: Filmes Polvo

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