Coragem em pauta

29 de abril de 2011

Neste sábado, 30/04o Estação Pátio Savassi receberá uma conversa sobre Coragem, contando com a participação de Sergio Mattos, psicanalista, membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial da Psicanálise. Confira abaixo um pouco mais sobre o que ele prepara para o encontro.

Qual será o enfoque que você gostaria de abordar sobre a temática coragem?
Gostaria de aborda-lo na perspectiva da coragem ser uma “Moção”, visceralmente ligada à possibilidade de fazermos face ao que nos é diferente. Diferente do esperado, do que se acredita, de nossas certezas de nossos conceitos, enfim, do que é a lente segundo a qual cada um lê, interpreta e dá forma a seu mundo.

Quais são as confluências entre coragem e a psicanálise?
A coragem não é um conceito da psicanálise, entretanto podemos sem dúvida pensá-la como uma virtude essencial à psicanálise, aos psicanalistas e analisantes. Ninguém duvida que é necessário coragem para fazer uma análise, que é um processo que nos convoca a enfrentarmos o desconhecido em nos mesmos, e a eventualmente perder alguns apoios que construímos para nos sustentar ao longo de nossas vidas. Entretanto há uma outra aproximação. O psicanalista francês Jacques Alain Miller em seu texto a Honra e a Vergonha faz uma discussão muito útil para entendermos o que pode nos tornar responsáveis, por nós e pelos outros. Ele parte de uma ideia simples: a de que todos nós somos marcados por coisas que damos muito valor, ao ponto de que, eventualmente poderíamos inclusive dar a vida por elas. É isto que foi a honra no passado: aquilo que em hipótese nenhuma eu poderia perder, seria preferível perder a vida biológica que a honra – vida com valor além da vida, cujo sentido não se esgota nas atividades biológicas. Estamos ai de cheio no campo desta moção que chamamos “coragem”, em vinculação com a psicanálise porque em um processo analítico sempre nos deparamos com estes pontos importantes, seja para reafirma-los seja para situar-los de uma maneira mais saudável para um sujeito.

Qual a importância de levar esse assunto para um debate público?
Com o advento dos meios de comunicação, dos transportes rápidos e de massa surge um contato quase imediato de cada um de nós com o que é diferente e que acontece a cada dia A ciência em sua história nos mostra sua vocação em produzir seres híbridos, estranhos, e a nos propor encontros “alienígenas”. Algumas religiões e regimes políticos respondem a essa diferença que relativiza nossos valores e nossa visão de mundo com fundamentalismos. Vamos precisar de coragem para encarar o futuro. O que não é de modo algum uma perspectiva pessimista, mas uma visão que percebe que precisaremos de coragem para lidar com tantas novidades que nos esperam, que será necessário neste contexto, coragem para falar de amor, de bondade e de Deus.

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2 comentários

  1. Boa noite!

    Coragem é um tema extremamente instigante nos dias atuais, início do terceiro milênio. Ela pode ser observada em várias situações do nosso cotidiano. Nem precisa de atos heróicos para ser notada.

    É vista quando saímos de nossa zona de conforto, de individualismo extremo arraigado em nosso padrão geral de comportamento, próprio da sociedade de consumo. Basta olharmos para fora de nossas janelas internas e veremos que o mundo grita por nossa participação efetiva – na política, em nossa sociedade, e principalmente no aspecto ambiental – como fatores transformadores de nossa realidade.

    Para isso, é requisito, coragem.

    Henrique Drumond

  2. Estação do Saber disse:

    Com certeza Henrique… acompanhe mais sobre o assunto, hoje mesmo, ao vivo, pelo http://www.estacaodosaber.art.br

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